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Especial Amazonas

Em minha ida ao Amazonas, tive o prazer de acompanhar uma ação muito bonita e humana que alia bons sentimentos e conhecimento através do turismo solidário. A iniciativa do professor de biologia do Colégio Poliedro de São José dos Campos, Alexandre Sawaya, o Zezo, consegue tocar corações,  mudar visões e proporcionar experiências pouco comuns na sociedade atual.

Comunidade Mura

Professor Zezo

Em parceria com o Juma Lodge, o colégio realiza viagens ao Amazonas a fim de tornar a aula de biologia ainda mais interessante e completa em meio a maior floresta tropical do mundo. Afinal, este é o lugar ideal para uma aula de biologia não é? O projeto se repete uma vez por ano e, com o passar do tempo, o professor Zezo sentiu a vontade de incrementar esse aprendizado de outro modo. Ele percebeu as dificuldades que as comunidades ribeirinhas passavam e resolveu contribuir para mudar um pouco daquele cenário.

Comunidade Mura

Foi então que ele decidiu incluir outra atividade ao roteiro: a doação de brinquedos, roupas e livros à uma comunidade carente. E a tribo indígena da etnia Mura foi a escolhida em razão do intermédio da professora da escola local, Elisângela. A área é uma Terra Protegida que não permite o acesso de turistas, mas por ocasião dessa ação do Colégio Poliedro, nossa entrada foi autorizada. Os alunos que se voluntariam para participar do projeto organizam as doações e distribuem carinhosamente os donativos à imensa fila de crianças que vai se formando em frente à escola da comunidade. O trabalho é árduo, mais é feito com sorrisos, cooperação e alegria.

Turismo Solidário

Turismo Solidário

O mais interessante dessa história foi perceber as reações tanto dos indígenas quanto dos alunos. O olhar de contentamento, de afeto, de solidariedade. As doações ali presentes tornaram-se um pequeno detalhe diante da emoção que se espalhava entre todos. Embora os indígenas precisem, de fato, da ajuda material que foi dada, eles se sentiam ainda mais felizes pelo gesto humano e de amizade que ali se formava. Sim, amizade. Lembro de uma pequena índia que escreveu uma carta para que fosse entregue a uma das alunas do Poliedro que participou do projeto no ano anterior. Ela criou laços tão bonitos, que mesmo após um ano, não deixaram de existir.

Turismo Solidário

Da parte dos alunos a emoção também foi grande. Embora vivendo realidades completamente diferentes, seja em termos econômicos, culturais ou sociais, eles não agiram piedosamente ou com superioridade em relação aos índios. Os trataram como semelhantes, como deve ser feito. Muitos deles afirmaram que tal atitude os tocou de uma forma especial, os aproximou de um ambiente totalmente diverso de seu cotidiano e, por isso, mudou alguns conceitos e visões. Talvez, o caso mais aparente que pude perceber foi em uma aluna que não queria, nem ao menos, participar da viagem. Ela foi contra a própria vontade, devido a insistência do pai e ao final da ação, admitiu emocionada que ir ao Amazonas foi muito importante. Ela mudou seu pensamento, ampliou seus horizontes e cresceu como ser humano.

Turismo Solidário

Turismo Solidário

Turismo Solidário

Após as doações, os alunos do Poliedro conheceram um pouco mais do cotidiano da comunidade Mura através da única professora da Escola Municipal Tiradentes, a Elisângela. Ela contou um pouco sobre o dia a dia vivido por eles. Durante as aulas, a professora tem a difícil missão de ensinar alunos de quatro turmas diferentes em um único turno, em uma única sala. A escola tem pouquíssimos recursos, inclusive da ausência de luz e cabe à professora e aos alunos vencer esses obstáculos, pois o governo age com descaso perante a comunidade. Outro problema encontrado é a perda de algumas tradições. Os indígenas sofreram muitas influências externas e atualmente se esforçam para manter o dialeto Mura, praticamente extinto na comunidade.

Escola Tiradentes - AM

Embora eu tenha participado somente como expectadora deste grande ato, me emocionei e tive ainda mais certeza de como o turismo solidário pode mudar comportamentos, trazer conhecimento e aproximar pessoas. Fugir do turismo convencional e passar de um simples voyer para um viajante participativo e sensível às particularidades de cada ambiente é uma prática ainda não muito disseminada, mas certamente, muito proveitosa e encantadora.

Escola Tiradentes - AM

Comunidade Mura

Amazonas

Assista também o vídeo com o resumo desse dia no Amazonas.

 

Viciada assumida em viagens. Turismóloga, especialista em Jornalismo Cultural e doutoranda em Comunicação. Em suas andanças, sempre busca conhecer as diversas culturas e se encantar com os mais belos cenários.

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  • Sou fã do Zezo e dos alunos que se dispõe a esse tipo de viagem. Foi emocionante acompanhar a entrega das doações e ouvir os depoimentos dos indígenas, dos alunos e do professor. Lindo!

  • Também virei fã Cris. Adorei essa experiência!