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DiferençasLigo a TV, acesso a internet, leio o jornal. Preciso me manter informada e acompanhar as notícias do dia. Afinal, é quase uma obrigação atualmente. É preciso saber dos fatos para se não sentir destacado, até mesmo quando a companhia são os amigos numa informal mesa de bar. E os meios de comunicação se desenvolveram de tal forma que somos na verdade bombardeados com tanta informação. Diariamente, minuto a minuto.

Mas às vezes, tenho a estranha sensação de que esse mar de notícias parece, no fundo, tratar sempre da mesma história, com a alteração apenas de alguns personagens. Um ciclo se repetindo constantemente. E nesse contexto, tento encontrar alguma originalidade. Ou algo que retrate um pouco de mim, que eu me identifique, ao invés do meu eu ter de se adaptar ao eu de outros.

O Brasil tem uma cultura riquíssima, tão diversa, tão cheia de detalhes, tão cheia de influências. Mas essas manifestações estão cada vez mais escassas nos diários de notícias. Lembro-me que, quando criança, ia com minha avó nas festas juninas acompanhar as danças de quadrilha. Adorava toda aquela energia e meus olhos não perdiam nenhum movimento colorido de cada participante. Grupos independentes, festas bem populares. Assim como as festas juninas de que me lembro, muitas outras comemorações e manifestações culturais ganham vida ao redor do país.

Mas nos noticiários, elas nem sempre são vistas, são retratadas, e em muitos casos, não sabemos sequer que elas existem. Parece que apesar de tantos atributos tecnológicos que trazem maior rapidez à transmissão e difusão das informações, as mídias acabam envolvidas mais com alguns poucos assuntos.

E as festas juninas? Elas ainda existem e aparecem nos jornais. Só que também de modo mais uniforme. Alguns poucos grupos com as mesmas roupas, com os mesmos passos, muitas vezes sem a essência dos tradicionais eventos folclóricos, tudo muito mais luxuoso e padronizado.

Acho que essa é a palavra certa. Padronização. É ela que parece mover o mundo. Exaltar certos artistas, um gênero musical, uma região, um sotaque, um modo de se vestir. A cada momento parece surgir uma tendência única a seguir e quem estiver fora dela corre o risco ser marginalizado.

E muitos indivíduos não percebem que são elas, as diferenças, que harmonizam o ambiente e que tem o poder de unir as pessoas. São elas que trazem o desenvolvimento e a originalidade. São elas que motivam as suas viagens dando ainda mais valor a elas. As diferenças ainda existem, só não são mostradas, não são enaltecidas, são vistas até com certa discriminação. Discriminação essa que ocorre muitas vezes pela ignorância e por achar que o padrão é a melhor opção sempre.

Pra que desgastar um assunto se há tantos outros igualmente ou mais interessantes a serem discutidos? Permitamo-nos ouvir outras músicas, dançar outros ritmos, conhecer outros povos e por que não experimentar outras vestimentas que não estejam na moda, outras sensações que não estejam no nosso cotidiano.

Variadas culturas existem e estão ao nosso alcance, apesar de não serem tão aparentes. Nos resta buscar, experimentar, mudar conceitos e se despir de preconceitos. Que nós nos permitamos arriscar e viver intensamente nossas diferenças fazendo jus a um país tão plural como o Brasil, dotado de um multiculturalismo que existe dentro de nós e que precisamos deixar ser percebido.

Talvez eu esteja exagerando ao pensar assim. Talvez eu queira me transformar na tal metamorfose ambulante que Raul tanto pregava como ideal de vida. Ou talvez eu esteja apenas cansada das mesmices de uma sociedade que insiste em ser tão singular.

Viciada assumida em viagens. Turismóloga, especialista em Jornalismo Cultural e doutoranda em Comunicação. Em suas andanças, sempre busca conhecer as diversas culturas e se encantar com os mais belos cenários.

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Categories: Contos e crônicas