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JMJA Jornada Mundial da Juventude – JMJ ocorreu na cidade do Rio de Janeiro, de 23 a 28 de julho deste ano gerando muita alegria e também muitas polêmicas. O evento reuniu milhões de peregrinos para receber o recém nomeado papa argentino Francisco. Atraídos pelo carisma e pelas ideias do novo líder da igreja, católicos de diversas partes do mundo se instalaram no Rio de Janeiro gerando um intenso fluxo de visitantes, o que impactou consideravelmente a rotina da cidade, sobretudo em relação à atividade turística.

Confesso aqui que não sou católica e também não fui ao evento. Mas como moradora da cidade e profissional de turismo, me senti impactada e envolvida com o acontecimento, de certa forma. Por essa razão, decidi expor minhas impressões sobre uma das propostas e decisões dos organizadores. Antes mesmo do evento iniciar-se oficialmente, a rotina da cidade já mudava. Centenas de peregrinos com suas mochilas coloridas começavam a ser vistos felizes e cheios de expectativas pelas ruas. Zonas norte, sul, oeste, centro, além de cidades vizinhas como Niterói, Duque de Caxias e Nova Iguaçu e algumas mais distantes como Petrópolis e Teresópolis, recebiam os novos visitantes e, em uma velocidade bastante rápida, a região ia se supersaturando.

O fato de abrigar peregrinos em casas de moradores, em escolas, paróquias, dentre outros tipos de hospedagens alternativas foi uma decisão bastante arriscada e ousada considerando os diversos problemas relacionados à infra-estrutura que o Rio de Janeiro enfrenta, além de estimular uma mudança de pensamento em uma sociedade ainda não tão acostumada a ofertar sua própria casa à desconhecidos. Mas por serem peregrinos, essa atitude foi mais fácil de ser tomada. A ideia então deu certo e muitos puderam participar do evento em uma das cidades mais caras do mundo para se visitar mesmo com condições financeiras limitadas. Foi uma atitude inclusiva por parte da igreja e que gerou um fluxo turístico jamais visto na história da região metropolitana do Rio de Janeiro.

Aquela velha história de que o Rio não está preparado para receber grandes eventos transpareceu com maior evidência principalmente no que tange o serviço de transportes. A pane no metrô, as longas e demoradas filas e a ausência de veículos em algumas áreas da cidade durante a noite só mostraram ao mundo o que a grande maioria dos cariocas já conhecem, que o nosso sistema de transportes é extremamente deficiente. A situação, é claro, se agravou porque havia muito mais pessoas que o habitual, porém o problema existe já há muito tempo. Também não podemos nos esquecer da transferência de local de uma das celebrações de Guaratiba para Copacabana por problemas de estrutura do local.

O que foi diferente na JMJ de outros grandes eventos e da atividade turística em geral, é que desta vez os turistas não ficaram concentrados na zona sul, Barra da Tijuca e Santa Tereza como de costume. Eles não lotaram a capacidade dos hotéis com suas altas tarifas à disposição, frustrando assim os empresários do setor. Os peregrinos viveram como cariocas. Enfrentaram a rotina de muitos trabalhadores que sofrem com o descaso do serviço público todos os dias. Situação essa que foi retratada nos noticiários internacionais, reprovando assim a cidade perante o mundo. Alguma novidade?

A exemplo de outras cidades, como a estruturada Paris, ou mesmo São Paulo, que tem problemáticas parecidas, o turismo no Rio deRio de Janeiro Janeiro poderia ser muito mais descentralizado e integrado, pois há muitas belezas e culturas diversas presentes em todo o estado, e em especial, na região metropolitana. Há recursos turísticos que são esquecidos, abandonados e desvalorizados em tantos lugares. Com a descentralização do turismo haveria maior incentivo à recuperação, manutenção e planejamento dessas áreas além de beneficiar moradores com a geração de renda e empregos em uma área mais ampla do estado. Por que então priorizar uns em detrimento de outros se podemos explorar com responsabilidade muito mais de uma região que nos oferece tanta diversidade?

Após o término do evento já não vemos mais os felizes peregrinos com suas mochilas coloridas pelas ruas e temos uma cidade não tão inchada como antes, mas ainda passamos pelos mesmos problemas. O que vimos com a iniciativa da JMJ foi que nós não estamos preparados para receber tantos visitantes, pelo menos ainda. O evento foi, na verdade, apenas uma reafirmação do que os cariocas já sabiam e que reforça aquela frase clichê que sempre nos persegue: “imagina na copa”!

 

Viciada assumida em viagens. Turismóloga, especialista em Jornalismo Cultural e doutoranda em Comunicação. Em suas andanças, sempre busca conhecer as diversas culturas e se encantar com os mais belos cenários.

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  • João Alfredo

    Pois é, imagina na copa. Não fui a nenhum dos eventos na semana da JMJ. E quando tinha vontade de ir, eu pensava: “Como vou voltar pra casa?”
    Assim, evitei a zona sul, como diabo foge da cruz. Não queria que fosse dessa forma nos eventos que estão por vir. Mas pra isso acontecer, falta muita melhoria na infra-estrutura da cidade. xx

  • É verdade João, todos acabaram sofrendo com a falta de planejamento do governo. Achei a iniciativa de distribuir os turistas em outras áreas muito boa, mas infelizmente não temos condições para isso. Vamos torcer para que a situação melhore nos próximos eventos.