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Especial Amazonas – Festival de Parintins

Em meio a maior floresta tropical do mundo, o festival de Parintins consiste na representação do folclore brasileiro da forma mais glamourosa e emocionante possível. Com uma produção refinada e muito detalhista, as fantasias e os carros alegóricos ajudam a contar uma história antiga já enraizada na cultura popular do amazonense, mas que chegou à terra do boto através dos nordestinos, sobretudo os maranhenses, que buscavam sobrevivência com as seringueiras na era da borracha.

Festival de Parintins

Boi negro Caprichoso

Antes mesmo de chegar ao Bumbódromo, a arena que é palco da disputa entre os bois Garantido e Caprichoso, já consegui sentir que aquela energia era diferente. Os espetáculos aconteceram de 28 a de 30 junho, sempre o último final de semana deste mês, e coincidentemente, no dia em que eu estava presente, dia 30, era a final do festival que marcava o centenário do boi e também a final da Copa das Confederações protagonizada pelas seleções do Brasil e Espanha. Então, de dentro da van que me levava para assistir o espetáculo, eu avistava centenas de pessoas com suas televisões ligadas assistindo ao jogo, mas vestindo a camisa da torcida de seu boi preferido com as músicas do festival ao fundo.

Nesta época a cidade se colore de azul e vermelho e por onde você passe há algo que não te deixa esquecer nem por um segundo dessa manifestação cultural. Até mesmo patrocinadores como a Coca-Cola, o Bradesco e os Correios mudam suas cores em consideração ao festival. Só mesmo em Parintins para vermos uma latinha da Coca toda azul por causa do boi Caprichoso. É muito prazeroso vivenciar um pouco dessa atmosfera alegre que se mantém depois de tantos anos e que é toda feita pelos caboclos, tornando a festa ainda mais tradicional.

Ao chegar na arena, já podia ouvir a torcida azul que entoava os cânticos do Caprichoso prestes a entrar. Dotada de muitas bandeiras e de uma organização impressionante, a torcida é, sem dúvida, parte do espetáculo. E, do lado oposto, a torcida do boi Garantido permanecia quieta e silenciosa até que o espetáculo do Caprichoso se acabasse.

Torcida Caprichoso

Torcida Caprichoso

Isso faz parte de uma regra do festival. As torcidas não podem, em nenhuma hipótese, torcer ou vaiar o outro boi, sob a pena de perder pontos, o que é respeitado por todos. Mas creio que essa regra seja até uma tortura para o espectador, pois os dois bois são tão bonitos, tão envolventes e as músicas tão dançantes que fica difícil se manter parado. Mas a convicção pelo seu boi fala mais alto, é uma paixão. Há ainda uma alternativa para aqueles que não se decidiram ainda ou que têm uma forte atração pelos dois: a área neutra que fica em uma localização central do bumbódromo. É lá que, geralmente, ficam também os artistas famosos que prestigiam o evento em um camarote especial.

Apresentação Caprichoso

Apresentação Caprichoso

Ao entrar em cena, os bois relembram a lenda do desejo de Mãe Catirina em um tempo de duas horas e trinta minutos cada. A história conta que, quando grávida, ela queria comer a língua do boi mais bonito da fazenda e pediu para seu marido, o Pai Francisco, que tornasse sua vontade uma realidade. Ele assim o fez, invadindo a fazenda do patrão e matando o boi preferido dele.

Mãe Catirina e Pai Francisco do Garantido

Mãe Catirina e Pai Francisco do Garantido

Com isso, foi atiçada a fúria do fazendeiro, o amo do boi, que após descobrir o ocorrido, prendeu Pai Francisco. Um médico então foi convocado para salvar o boi, mas somente o padre (que é representado pelo curandeiro Pagé, segundo a cultura indígena) consegue ressuscitá-lo. Houve grande alegria e comoção da população com a ressurreição do boi e Pai Francisco e Mãe Catirina foram perdoados.

Pajé Garantido

Pajé Garantido

Boi Caprichoso

Boi Caprichoso

Carro alegórico Caprichoso

Carro alegórico Caprichoso

Carro alegórico do Boi Garantido

Carro alegórico do Boi Garantido

Festival de Parintins

Garantido

Outros personagens também fazem parte da festa como o Levantador de Toadas (responsável por interpretar as canções), a Sinhazinha (filha do Amo do Boi), a Rainha do Folclore (que representa o poder do povo), a Cunhã-Poranga (a bela guerreira da tribo), a Porta Estandarte (que representa o símbolo do Boi em movimento) e o Gazumbá (o compadre do Pai Francisco).

Rainha Caprichoso

Rainha Caprichoso

Boi e Sinhazinha Garantido

Boi e Sinhazinha Garantido

Boi e Rainha Garantido

Boi e Rainha Garantido

Com o tema “Caprichoso, o Centenário de uma Paixão”, o boi estrela azul e branco trouxe para o público no terceiro dia do evento, um espetáculo cuidadosamente pensado, com efeitos especiais e muita sofisticação, demonstrando uma estética impecável. O Caprichoso também emocionou em muitos pontos, principalmente com a despedida da Sinhazinha Thainá Valente.

E o coração vermelho e branco, “Garantido, O Boi do Centenário”, conhecido como o boi do povão, trouxe muita emoção e interação com a platéia, além de focar os aspectos tradicionais da história em uma apresentação lúdica e envolvente, o que lhe rendeu a vitória deste ano.

Aeroporto de Parintins

Aeroporto de Parintins

Como chegar

Para chegar à ilha de Parintins partindo de Manaus, 371 km, é preciso ir de avião, percurso que dura aproximadamente 50 minutos, ou de barco, alternativa bem menos confortável. Se você escolher a última opção, precisará de muito mais tempo. A ida dura aproximadamente 18 horas e a volta cerca de 30 horas, devido à correnteza do rio. As cias que realizam o trajeto são a Azul, a Gol, a MAP. Saídas de Santarém e Belém também são possíveis de avião.

Ingressos

Para adquirir os ingressos para o festival, agências como a Tucunaré Turismo os vende separadamente ou através de pacotes que também incluem hospedagem e transporte. Há também a possibilidade da entrada gratuita, mas para conseguir essa façanha, só mesmo esperando durante muitas horas, pois há uma fila formada desde a manhã. Mas para os caboclos, todo o sacrifício é válido para ver o seu boi desfilar lindamente.

Viva a cultura popular brasileira!

* Agradeço à Amazonastur pelo convite para participar da Fam Trip para conhecer o estado.

Viciada assumida em viagens. Turismóloga, especialista em Jornalismo Cultural e doutoranda em Comunicação. Em suas andanças, sempre busca conhecer as diversas culturas e se encantar com os mais belos cenários.

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